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sábado, 7 de novembro de 2015

INVENCÍVEL KILAMBA

Uma panorâmica da cidade de Angra do Heroísmo com o Monte Brasil, ao fundo.
Hoje, 07/11/2015, o meu Invencível Kilamba Vicente completou noventa e cinco (95) anos bem vividos. Salve meu Invencível Kilamba! Agora, como me prometeste em julho passado, sei que vais muito além dos cem...
Quem também te viu a trabalhar na horta e no jardim sabe que não exagero ao augurar-te uma longevidade secular. Hoje, não escreves como antes, embora mantenhas a perfeita lucidez para o fazeres, porém a motivação para a escrita não é do mesmo tamanho da leitura dos romances de mais de milhar de páginas, que se mantém como pude bem observar pelo calhamaço que devoravas na poltrona da sala onde outros se limitavam a ver televisão.
O meu Invencível Kilamba numa pausa de trabalho no seu invejado jardim.
O meu presente de aniversário é uma lenda, intitulada “O Amor Eterno Entre Angra e o Monte Brasil”, que homenageia o lugar onde passaste a tua juventude de estudo e os sonhos de grandes odisseias antes de rumares a Angola, para teres os teus sete descendentes (será que tiveste outros que te esqueceste de me contar?...), conforme a li no livro “As Lendas do Imaginário Açoriano” de Avelino Santos e Lúcia Santos:
Há muitos séculos atrás, o senhor dos mares apaixonou-se por uma linda princesa que só tinha olhos para um jovem príncipe por quem se tinha apaixonado perdidamente.
O rei dos mares, desgostoso com a falta de atenção da princesa, sentia crescer, dentro de si, o ciúme e o ódio pelos causadores da sua infelicidade. Certo dia, na sequência de um ataque de ciúmes, lembrou-se que no fim do seu reino vivia uma bruxa que tinha fama de ter muitos poderes. Sem demora, mandou-lhe recado para que viesse urgentemente ao seu palácio.
A bruxa conhecedora dos sentimentos do rei do mar e amando perdidamente o príncipe, sentiu naquele chamamento uma forma de conseguir satisfazer o rei e a si própria, ficando com o príncipe que ela tanto desejava.
Sem perder tempo, a bruxa apresentou-se no palácio real e confirmou as suas suspeitas. Sem demora, começou a preparar as suas poções e a lançar os seus feitiços sobre os dois apaixonados. No entanto, por mais que desejasse, e tentasse, o amor entre os dois apaixonados aumentava, de dia para dia, na mesma proporção da fúria e do ciúme do rei dos mares.
O rei farto de esperar, e cego pelo ciúme, mandou chamar novamente a bruxa à sua presença e ordenou-lhe que eliminasse definitivamente o príncipe, mas que nada de mal fizesse à princesa.
A bruxa viu nesta ordem um meio de se vingar da princesa que tinha cativado o homem que ela tanto desejava para si. Silenciosamente dirigiu-se para a praia onde a princesa descansava nos braço do seu amado e rapidamente lançou sobre os dois o seu feitiço mais poderoso. Num abrir e fechar de olhos, o príncipe transformou-se num imponente rochedo todo coberto com a amis luxuriante verdura e a princesa transformou-se numa bela cidade para sempre unida ao seu amado.
Deste modo, no meio do Atlântico, permanecem unidos a princesa e o príncipe, dando lugar à bela e delicada cidade de Angra amparada pelos braços protetores do Monte Brasil.
Em julho tive a oportunidade de observar a tua fortaleza pétrea, meu Invencível Kilamba, como a do Monte Brasil, onde caminhei várias vezes, ao abrigo de frondosos pinheiros seculares, cuja idade é um farol para ti. Aliás, quem cava com a enxada e puxa o ancinho com a energia que em ti observei só pode aspirar à longevidade dos seculares pinheiros do Monte Brasil. Também, a beleza da cidade te preenche o ser, a tal ponto de me confessares que, mesmo que tivesses menos vinte anos, jamais voltarias a São Jorge, a tua ilha natal, ou ao teu S. Jorge de Catofe da savana africana, onde semeaste sonhos de eternidade...
O meu Invencível Kilamba manejando o ancinho com muita perícia e competência.
Agora, finalmente, todo a gente entende porque sinto muito orgulho de ser teu filho, uma escolha de que nunca me arrependi!... 
Um grande beijo do teu filho Kabiá-Kabiaka.
O trabalho de jardinagem merecia este enquadramento a três para a posteridade, ainda mais que o pétreo Monte Brasil de 95 anos não conta há dois meses com a companhia física da sua bela princesa de 87 anos.